Este é um espaço aberto para falarmos sobre o bom e velho Rock N' Roll.

A Bolha - Um Passo À Frente (1973)

Contagiado pelo rock progressivo o Brasil viu entre meados da década de 60 e o começo da década 70 o potencial da música brasileira ser direcionado para esse segmento. Logo inúmeros grupos eram formados apoiados nessa tendência, alguns migravam de outros estilos, sobretudo bandas com raízes na Jovem Guarda. A banda - The Bublles - formada em 1965 no Rio de Janeiro que inicialmente fazia covers de bandas internacionais foi um dos grupos que decidiram migrar para o rock progressivo, passando então a compor suas próprias músicas valorizando a língua portuguesa. Essa transição só ocorreu em 1970 e até o nome da banda foi traduzido para melhor encaixar-se com o novo projeto, tornando-se finalmente em A Bolha.

Em 1973 laçam o álbum "Um Passo À Frente" trazendo músicas muito elaboradas, composições metafóricas e ainda faixas com um rock mais direto. Com técnica musical apurada os integrantes conseguiram fazer um trabalho original que viria a ser destaque para o progressivo brasileiro, mas na época de seu lançamento o sucesso não fez jus a qualidade do que foi produzido, foram registradas poucas vendas. Algo que chama a atenção é a forma que as letras se encaixam a música de forma natural, algo que nem sempre é encontrado nas bandas brasileiras, que têm o costume modificar a sonoridade natural das palavras para uma melhor adequação à música. Posso citar O Terço como a banda brasileira que melhor usou esse perfil de composição.

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A bolha - Formação Original

Esse é com toda certeza um dos melhores registros do rock progressivo brasileiro. Porém Bandas como Os Mutantes e O terço são as que por mais tempo ativas e lançando álbuns, muitos projetos promissores falharam antes de ter algum material registrado e muitas bandas se resumiram a um ou dois álbuns, assim caindo no ostracismo absoluto. Mas saliento que para quem deseja se aventurar em um grande capítulo da música brasileira essa é uma boa opção, conhecer a banda serve para conhecer mais um pouco da história do rock n’ roll setentista em pleno Brasil, pois os músicos que compunham A Bolha se aventuraram em outros projetos de peso do Rock Progressivo nacional e estão cravados na história do seguimento em terras brasileiras.

Formação:
Pedro Lima (guitarra acústica, guitarra solo, harmônicos e vocal)
Renato Ladeira (órgão Hammond, farfisa, guitarra e vocal)
Arnaldo Brandão (baixo e vocal)
Gustavo Schroeter (bateria e vocal)

A Bolha - Um Passo À Frente

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Um Passo À Frente - Capa Original

Tracklist:
01 - Um Passo A Frente
02 - A Esfera
03 - Epitáfio (Epitaph)
04 - Bye My Friend
05 - Tempos Constantes
06 - Neste Rock Forever
07 - Razão De Existir
08 - 18.30 - Parte 1
09 - Os Hemadecons Cantavam Em Coro



Television - Marquee Moon (1977)

No ano de 1977 a banda Television liderada por Tom Verlaine lançou seu primeiro álbum intitulado Marquee Moon. O grupo de New York que foi formado em 1973 entrou para o mercado da música em grande estilo, embrenhados na cena Punk Rock lançaram o álbum de estreia repleto de marcações constantes ao longo das músicas, o que seria uma tendência para seguida por diversos grupos Punk, mas o que chamou a atenção de todos desde o princípio foi a carga melódica que as faixas traziam, tudo soava leve e dinâmico, desde as simples marcações à trechos extensos de improviso.

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Television - Formação Clássica

A voz anárquica de Tom Verlaine e suas linhas de guitarra amalgamadas com as de Richard Lloyd, ambos alternando entre a base e solos, renderam um dos maiores registros do Punk Rock e devido à peculiaridade sonora que a banda apresentara na época viriam a influenciar bandas adeptas do Post Punk, que é uma derivação do Punk, mas com maior dinamismo e melodicamente mais rico. Uma das características do grupo era levar o improviso instrumental para os seus discos, desde o álbum Marquee Moon as canções da banda continham trechos de solos primorosos e mostravam o entrosamento entre os músicos que constituíam a banda.

A canção que dá nome ao álbum é com toda a certeza o maior sucesso da banda, sua presença é obrigatória nos repertórios dos shows da banda. Serve como parâmetro da obra, resume a proposta musical da banda perfeitamente. A parte instrumental é precisamente balanceada, todos conseguem se destacar, os solos de guitarra são divididos entre Tom Verlaine e Richard Lloyd, esses são os pontos altos não apenas da música como também do álbum. A forma de compor as letras revelam Verlaine sendo um verdadeiro poeta, tinha desde a época  uma forma densa e cativante de escrita.

Embora possa aparentar que tudo gire em torno do frontman por ser guitarrista e vocalista, os outros componentes se fizeram essenciais para compor o perfil do Television, as linhas de baixo de Fred Smith destacam-se em todas as faixas do álbum igualando, em termos de performance, o baterista Billy Ficca. Ambos atuaram e contribuíram de forma esplêndida para Marquee Moon tomar forma. Elevation e Torn Curtain são outras músicas que servem para mostrar o nível musical do quarteto, os belíssimos solos de guitarra dessas duas músicas são executados por Lloyd e Verlaine, respectivamente.

As músicas See No Evil, Venus, Friction, Guiding Lighte e Prove It que completam o álbum, são as bases da carreira da banda. Fizeram de seu primeiro disco uma joia rara para aquela geração e até hoje é referência para músicos de diversos subgêneros do Punk Rock, um disco essencial para quem quer conhecer mais um registro histórico de um dos cenários notáveis do Rock N’ Roll. Abaixo se encontra a faixa Marquee Moon, música que dá nome ao álbum e é o maior sucesso da banda, que até hoje está em atividade depois de longos períodos de interrupções na carreia do grupo.

Formação:
Tom Verlaine (vocal e guitarras)
Richard Lloyd (guitarras)
Fred Smith (baixo)
Billy Ficca (bateria)

Television - Marquee Moon

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Marquee Moon - Capa Original

Tracklist:
01 - See No Evil
02 – Venus
03 – Friction
04 - Marquee Moon
05 – Elevation
06 - Guiding Light
07 - Prove It
08 - Torn Curtain



Pescado Rabioso - Artaud (1973)

Utilizando Artaud álbum clássico de uma das bandas mais notáveis da América do Sul, a distinta Pescado Rabioso, recordo Luis Alberto Spinetta um dos maiores expoentes do rock argentino, que veio a falecer em 8 de Fevereiro de 2012. Além de Pescado Rabioso Spinetta fez parte de outros grandes grupos de rock da Argentina como: Almendra, Invisible, Spinetta Jade e Spinetta y los Socios del Desierto. Sua carreira solo é similarmente fabulosa, mas escolhi o disco Artaud para essa ocasião porque é apontado pela crítica especializada como o melhor disco do rock argentino e ilustra bem a grandiosidade desse personagem ilustre.

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Pescado Rabioso - Formação Original

Artaud foi lançado no ano de 1973 quando a banda Pescado Rabioso já encontrava-se amadurecida e com uma visão definida sobre em quais áreas atuar e como faze-lo. É completamente embebido em um Blues Rock tecnicamente e sentimentalmente perfeito. O título do álbum é uma clara referência ao poeta francês e Antonin Artaud, que além de dar subsídios para a nomenclatura do álbum ainda teve duas de suas obras sustentando os pilares do enredo desse disco, são elas: Heliogábalo, o anarquista coroado (1934) e Van Gogh, assassinado por sociedade (1947).

Além de Luis Alberto Spinetta (vocal, guitarras e piano) são creditados Emilio del Guercio (baixo e backing vocal), Rodolfo Garcia (bateria e backing vocal), trio que compunha Pescado Rabioso, e o irmão de Luis Alberto, Carlos Gustavo Spinetta que foi o responsável pela bateria em Cementerio Club e Bajan. O multi-instrumentalismo e a paixão literária Luis Alberto Spinetta permitiu que colabora-se intensamente em tudo que participasse, assim muitos veem o álbum como algo extremamente pessoal e até menosprezam os outros demais integrantes, mas vejo cada contribuição, mesmo que ínfima,  dos demais músicos participantes como importantes a para a forma que o grupo e o  álbum tomaram. Isso serve para outras bandas de uma forma geral.

Para justificar o apreço de críticos e fãs da banda pelo álbum Artaud o repertório não poderia ser de outra forma se não deslumbrante, a essência da Rock N’ Roll enraizado no Blues é exalada de cada canção. Ao longo do disco comprovamos o casamento perfeito entre as influência da música que o grupo trazia e requintes primorosos de autenticidade que elevaram a obra a um nível elevado. As faixas Cementerio Club, Superchería, Cantata De Puentes Amarillos, A Starosta, El Idiota e Las Habladurías Del Mundo são destaque de um álbum que é primoroso de início ao fim, então dá para imaginar o nível dessas músicas.

Pescado Rabioso - Cementerio Club

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Artaud - Capa Original

01 - Todas Las Hojas Son del Viento
02 - Cementerio Club
03 - Por
04 – Superchería
05 - La Sed Verdadera
06 - Cantata de Puentes Amarillos
07 - Bajan
08 - A Starosta, El Idiota
09 - Las Habladurías del Mundo



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